ATIVISMO DE MARÇO, VIOLÊNCIA E AS NOTÍCIAS QUE NÃO QUEREMOS VER
O mês de março começou com o ativismo pela greve
geral no próximo dia 08 de março. A greve pretende chamar a atenção das
mulheres e homens de todo o mundo para os problemas que ainda enfrentamos. A violência
é uma delas e neste primeiro texto de março é sobre ela que vamos falar.
A
sexta-feira, dia 24 de fevereiro, começou com a notícia estarrecedora que um
cantor sertanejo teria agredido sua esposa grávida (ela teria se dirigido até
uma delegacia para prestar queixa). Desde o início a história foi contada de
maneira estranha e o desenrolar da coisa não podia ser pior – uma entrevista do
cantor ao Fantástico para se defender das acusões com a mulher e o filho de
costas para serem preservados. Quando Cecília Toledo escreveu que ‘o gênero nos
une, a classe nos separa’, ela nao poderia estar mais certa do que isso. A
classe social da moça na atualidade fará toda a diferença nesta história e
ainda ficará desacreditada como se tivesse tido um surto por causa da gravidez,
dos hormônios etc... Precisamos ficar atentas a situações como a dela. Outras
mulheres estão passando por isso neste exato momento. Como ajudá-las? Como
afastá-las dos agressores? É preciso pensar em estratégias... É preciso pensar
rápido. Nem todas têm forças para sair dos relacionamentos abusivos.
O mês de fevereiro também ficará marcado por outra
notícia ainda mais estarrecedora. Talvez a notícia do ano: a liberdade daquele
ex-goleiro (que também não vou citar o nome em respeito à sua vítima). Fiquei
chocada com o fato da imprensa dar voz ao mesmo. Ao dizer que mesmo que
estivesse em prisão perpétua a vítima não voltaria, ele não estaria atestando
sua culpa? Precisamos pensar sobre isso, pois a liberdade do rapaz é uma falta
de respeito a memória de Eliza Samudio, seu filho e sua família. Uma falta de
respeito com todas nós.
- Espero que ele volte à prisão e entenda que o que
ele fez é crime e merece sim ser punido.
- Espero que a mídia não dê mais a palavra a ele.
- Espero que nenhum clube de futebol o contrate,
pois ele não pode virar ídolo novamente porque não esboça nenhum
arrependimento.
- Mas ainda sim se algum clube o contratar que os
demais colegas jogadores e suas famílias não o recebam calorosamente. As mulheres
desse possível clube é que farão a diferença.
Os homens envolvidos em crimes contra mulheres precisam
ser punidos com mais severidade. Lutamos muito no passado para que crimes como
estes fossem punidos e ao que parece estamos retrocedendo aos tempos dos ‘crimes
contra a honra’. O perigo é iminente. Precisamos estar atentas e unir nossas
forças.
A reflexão para março teria que ser diferente. Teria que ser política.
Mas abro o mês repetindo a campanha de 2016: Não quero flores!!! Quero
respeito! Quero Dignidade! Quero ter a chance de viver! Nenhuma a menos.
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