PARTICIPEI DO 11º FAZENDO GÊNERO
No final de julho e início de agosto participei do 13º
Congresso Mundos de Mulheres e Seminário Internacional Fazendo Gênero 11
“Transformações, Conexões, Deslocamentos”, em Florianópolis (SC). Uma semana de
estudos e reflexões produtivas. A apresentação do evento foi feita da seguinte
forma: “A temática que
norteará o encontro é "Transformações, Conexões, Deslocamentos". Com
isso, queremos alargar esse lugar de diálogo para uma perspectiva mundial,
afastada da hierarquia Norte-Sul, ou seja, um espaço onde se possa ouvir outras
vozes, novas propostas, valorizar saberes, ampliar horizontes de estudo e de
ativismo. Desse modo, seremos capazes de pensar e propor perspectivas
inclusivas para os estudos feministas e possibilidades de construção feminista.
Será uma oportunidade única de cruzar experiências, pesquisas, vozes ao redor
do mundo sobre questões de mulheres e gênero. O Congresso Mundos de Mulheres
(MM) será realizado na América do Sul pela primeira vez. Não perca a
oportunidade de avaliar e discutir, tanto teorica como
praticamente, as questões mais importantes sobre feminismos da atualidade”.
É uma das áreas que mais gosto de estudar e claro faltou fôlego e tempo
para participar de todas as mesas temáticas, das palestras, dos Fóruns de
debate. Gostei de tudo o que pude ver. Os Simpósios Temáticos foram uma rica
troca de experiências com resultados de trabalhos de extensão e pesquisa. A gente
aprende e fica com vontade de replicar tudo o que ouviu. Foi o caso do projeto
de extensão de uma colega assistente social que trabalha em um Instituto Federal.
Ao ouvi-la falar sobre o projeto que desenvolveu que vai além da assistência estudantil,
a gente tem a certeza que é possível fazer muita coisa. Também participei das
mesas sobre o combate a violência que se faz urgente. A conclusão é sempre
óbvia: precisamos fazer cumprir a lei e precisamos garantir que as mulheres
entendam que elas são as vítimas. O sistema patriarcal vigente ainda causa
estragos que continuam trazendo consequências graves para as mulheres.
Outro momento muito interessante foi conhecer as estudantes da UFSC que
mantém um coletivo chamado MãeEstudantes. Ouvi-las sobre as dificuldades para
conciliar filhos e estudos foi algo muito sério e importante para mim. Aliás,
fui para o evento pensando em encontrar algo para uma orientanda de TCC que
resolveu falar sobre este assunto. Quando ela trouxe seu tema eu tive várias implicâncias.
Agora, tenho grandes expectativas que poderá ser um dos melhores trabalhos
realizados até agora. Principalmente, se ela souber conduzi-lo adequadamente. A
experiência das meninas da UFSC me abriram os olhos. Pode soar estranho, mas a
gente sempre imagina que haverá outra mulher para cuidar dos nossos filhos
enquanto estudamos e trabalhamos. Mas seja nas capitais seja no interior, não é
fácil. O depoimento de uma delas ilustra bem esta realidade (não está literal,
apenas o que me lembro): ‘eu vim de outro
país para fazer doutorado; vim com a filha de dois anos. Quando as pessoas
conversavam comigo e eu dizia que tinha deixado os mais velhos com o pai, me perguntavam
como, ficavam até indignadas. Aí, depois que terminei as disciplinas eu trouxe
os mais velhos. Aí as pessoas diziam que eu era louca, que três filhos (!)
nunca iria terminar o doutorado. Foi um período difícil, mas que está sendo
vencido mesmo com todas as dificuldades (...)’. Ela não foi a única e
outras mulheres também queriam falar, pois TODAS carregavam no peito a mesma
angústia. Eu sinceramente não passei por isso, pois fiz graduação sem filhos,
passei pelo mestrado sem filhos também e quando cheguei ao doutorado tinha uma
estrutura familiar (mãe e marido) que davam conta do recado. Além disso, também
pude utilizar a creche da universidade (Unesp) que conta até hoje com pessoas
maravilhosas. Então, agora, minha proposta é orientar bem a aluna a pensar em
como é ser mãe no campus da Universidade Federal de Uberlândia.
Participei também de uma mesa ótima que discutia a educação na
perspectiva de gênero, com um professor maravilhoso!!!. Eu gostaria que todo
mundo ouvisse o que ele falou para acabar com esse blá blá blá da ideologia de gênero nas escolas. Para as pessoas
entenderam o que de fato é gênero e parar de falar tanta bobagem. Foi uma das
melhores palestras que assisti.
Queria contar mais e detalhar mais, mas para encerrar quero parabenizar
minhas orientandas que apresentaram suas pesquisas no evento: Wiliany, Michela
e Luciene. Foram 3 pôsteres apresentados
ao mesmo tempo e que receberam muitos elogios. Eu espero que tenha sido
uma experiência importante para este período da graduação. Meus parabéns às
três. Tenho certeza que todas terão muito sucesso!!!
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